Dúvidas e Dicas

Esta seção é composta de dúvidas de nossos alunos enviadas a nós através dos anos, desde 2003, o início do funcionamento do Grupo Mera, e nossas respostas.

O intuito dessa nova seção é ajudar outros estudantes de Um Curso em Milagres com dúvidas parecidas para que possam caminhar de forma cada vez mais suave, pacífica e confiante de volta para Casa.

Paz e Luz!


Grupo Mera

 

PARA LER A EXPLICAÇÃO, CLIQUE NA DÚVIDA.

 

FAQs - Dúvidas e Dicas

Grupo Mera: Um Curso em Milagres apresenta uma metafísica própria. Ele usa uma linguagem dualista para nos explicar o não dualismo, ao qual dá o nome de Céu, onde a unicidade é absoluta. No entanto, ele mesmo explica que essas palavras, para nossas mentes que se sentem separadas, ainda são sem significado.

O Curso e outras filosofias afirmam que este mundo é uma ilusão, um sonho no qual nos sentimos separados. Em Um Curso em Milagres encontramos em muitas passagens a afirmação de que estamos sonhando o “sonho de um mundo” e esse sonho não é diferente do sonho quando estamos dormindo.

Segundo Um Curso em Milagres, a melhor maneira de vivermos nesse sonho é fazermos isso com a consciência de que tudo é um sonho porque, então, conseguimos, aos poucos, executar todas as nossas tarefas com muito menos estresse e desgaste. Dessa forma, poderemos ficar em paz enquanto continuamos, aparentemente, vivendo no mundo.

Grupo Mera: Ficamos muito felizes porque o Curso está mais fácil. Jesus diz que isso acontece quando vamos perdendo o medo desse Curso que ele nos deu. Você está certa a respeito da pedra angular do terror do ego. Podemos encarar o nome dessa pedra: culpa. O ego pôs tanto terror em nossa mente sobre nossa traição a Deus, que, enquanto não tomarmos coragem de olhar para isso, através de todas as formas diferentes que fizemos pra representá-la (todos os relacionamentos), não veremos que essa culpa é totalmente infundada, que ela não pode ser real. Esse é o grande trunfo do ego para nos manter “acorrentados” ao sonho: através do medo, do terror, fazer com que nossos olhos continuem afastados daquilo que finalmente iria no libertar. Quando finalmente nos dispomos a olhar para tudo isso, descobrimos que o “monstro embaixo da cama” era apenas ilusão e que agora estamos livres para seguir em frente, em paz, alegria e amor.

Felizmente também, neste sonho, nada acontece por acaso: meu marido decidiu, em ótima ocasião, começar a estudar o UCEM e está determinado a fazer com que este relacionamento dê certo porque, segundo ele, é uma excelente oportunidade de crescermos juntos.

Às vezes não é nada fácil sermos constantemente confrontados com o nosso auto-ódio. O que fazer para facilitar um pouco o processo?

 

Grupo Mera: Há a bênção de vocês dois estudarem o Curso juntos, certo? Quando nos juntamos num mesmo interesse, nossas forças ficam imbatíveis.

Pode ser que o processo seja facilitado se vocês deixarem sempre um "bilhete-lembrança" para si mesmos para voltarem a algumas coisas básicas que sempre nos fogem da memória:

1 - Lembrar que essas memórias não estarão sempre claras - e perdoarem-se por isso...

2 - Lembrar de que o outro nunca pode nos machucar, e de que, quando nos sentimos assim, agredidos (ofendidos, magoados, desprezados...) é apenas porque nesse determinado momento estamos identificados com o ego. E se apenas "constatarmos" isso, resgataremos mais facilmente esta memória: “Eu sou como Deus me criou. O Filho de Deus nada pode sofrer. E eu sou Seu Filho” (UCEM-T-31.VIII.5:2-4).

3 - Será sempre interessante quando você ou seu parceiro perceberem que algo incomodou na ação do outro, explicar/contar que, mesmo que esta não tenha sido a intenção dele (a), foi assim que vocês "receberam", "perceberam" o ocorrido, já que cada um tem uma história diferente. (O diálogo pode começar com algo como “eu creio que sua intenção não tenha sido me machucar, mas eu recebi/percebi isso que você falou ou fez como uma agressão – me senti abandonada (o), desprezada (o)...”).

4 – Útil também será lembrar de que quando temos o propósito de abandonar o ego, a nossa própria resistência (armadilhas do próprio ego) também fica presente. Se nos lembrarmos disso, deixaremos as respostas automáticas - reações viciadas - de lado, e escolheremos conscientemente "com quem responder", com o ego ou com o Espírito Santo.

Grupo Mera: A ideia central de UCEM é que somos todos “um” – em mente. A consciência dessa unicidade vai trazendo leveza em nossos relacionamentos, mesmo que não a compreendamos perfeitamente porque o estado de nossas mentes é dualista, ou seja, separado.

Na verdade, a melhora nos relacionamentos com o aumento da consciência da unicidade é alcançado aos poucos, passo a passo, evidenciando a necessidade do treino constante e persistente que o Curso propõe. 

Nosso mundo é um mundo de diferenças. Mas, no raciocínio não dualista (somos todos um), vamos aprendendo que as diferenças são aparentes e só existem no mundo das formas, não na mente, onde somos iguais, a mesma essência. E o “vínculo” não precisa ser necessariamente na convivência; a mente curada pode amar todos – o vínculo é amor.

Grupo Mera: Os relacionamentos românticos, particularmente falando, em geral são muito difíceis porque os vemos basicamente da perspectiva do ego, em que as relações existem apenas para se conseguir "algo em troca". Isso é comum à maioria de nós neste mundo, e por isso você diz que não conhece ninguém que tenha um relacionamento harmônico.

Damos o primeiro passo para tornar o relacionamento santo quando compreendemos que toda essa dinâmica de “interesses separados” só pode trazer sofrimento constante. Quando entregamos o relacionamento ao Espírito Santo para que nos ajude, passo a passo, a desfazer todos os conceitos equivocados e expectativas infundadas, tomamos consciência de que essa forma de relacionamento não pode levar a outra coisa além de mais sofrimento.

O conceito de relacionamento santo do Curso, em geral mal compreendido, não quer dizer que vamos viver um relacionamento completamente harmônico, sem que nada nos perturbe. O Curso explica que são exatamente os conflitos que trazem à tona toda dor "enterrada" bem fundo em nossa psique para que possamos, enfim, ser curados.

Mas isso não significa que devamos passar a vida ao lado de uma pessoa com a qual vivemos em disputas. Não é necessário conviver com uma pessoa para curar um relacionamento. A cura está na mente. O que deve ser avaliado a cada momento é: "Posso/quero continuar vivendo dessa forma?"; "Mesmo sabendo que tudo tem um propósito, consigo lidar com isso nesse momento?"; e outros questionamentos desse tipo, que só a própria pessoa tem condições de responder.

Esse processo não será isento de dor, pois nossa crença na culpa e na escassez é muito grande ainda, e quanto mais imersos estamos nos sentimentos dolorosos que envolvem esses medos e dúvidas, menos clareza temos para ver tudo de uma perspectiva mais elevada.

Observarmo-nos é o que Jesus nos pede em seu Curso. Não lutar contra esses sentimentos dolorosos é estar na posição de observador.

Talvez possa ajudá-la a entender um pouco melhor essa dinâmica, a pergunta 3, na página 7 do Manual de Professores: "3. Quais são os níveis de ensino?". Lá ele fala sobre os diferentes níveis de relacionamentos.

Mas, acima de tudo, procure se recolher um pouco em si mesma, e, em cada pensamento e sentimento doloroso, entregar ao Espírito Santo, de forma consistente e contínua.

Essa entrega também pode ser feita a Jesus. Será muito bom você procurar desenvolver um relacionamento com ele, onde você vai se sentindo cada vez mais próxima e livre para conversar, contar seus sentimentos e pedir que ele esteja ao seu lado, segurando sua mão. Como ele próprio diz em um trecho do livro de exercícios:

"Se isso puder ajudar-te, pensa em mim segurando a tua mão e conduzindo-te. E eu te asseguro que essa não será nenhuma fantasia vã" (UCEM-LE-pI.70.9:3-4)

Grupo Mera: Sempre existirá mudanças no mundo das formas enquanto vamos fazendo nossas lições de perdão, pois a base deste mundo é a mudança, a inconstância. As pessoas e as situações podem ou não mudar. Elas não precisam se transformar no que pensamos ser "melhor". O que faz com que as mudanças sejam “significativas” é a nossa interpretação...

É realmente muito difícil entendermos que as mudanças aqui, no mundo das formas, não significam nada e, por isso, as coisas podem aparentemente continuar “na mesma”, no sentido de manter aquilo que nos desagrada. Novamente, essa consciência vem aos poucos.

Em várias passagens no Curso, especialmente no Manual dos Professores, vemos um alerta de Jesus dizendo que nós gostaríamos de ter o Céu sem ter que abrir mão da separação, o que é impossível. Nós queremos, e esse é o nosso grande problema, que o mundo feliz do Espírito Santo aconteça por causa das coisas daqui, e então, teríamos um mundo cor de rosa.

Mas nós vamos alcançá-lo (o mundo feliz do Espírito Santo), na verdade, com as coisas boas e com as coisas ruins acontecendo no mundo das formas. E então vamos perdoar ambas, uma vez que entenderemos que nenhuma delas é real, pois nesse estado mental saberemos que apenas o Amor de Deus é real.

Seria mais útil você não se preocupar com isso agora e ir praticando suas lições diárias de perdão com todas as situações que “te forem dadas para responder" - isso está bem explicado no Capítulo 30 de UCEM – O novo começo.

Grupo Mera: Serenidade seja, talvez, a primeira palavra. A palavra “milagre”, em UCEM, é a correção do pensamento. Como falamos antes, o universo exterior é o reflexo do interior, então, nossas interpretações ou percepções é que fazem as coisas parecerem de forma específica para cada um de nós – por isso, uma mesma situação pode ser vista de maneiras diferentes por pessoas diferentes.

Quando entendemos e praticamos o ensino de Um Curso em Milagres, a serenidade é acompanhada de segurança no resgate da nossa verdadeira autoestima, porque o perdão é o desmanchar de todos os enganos. E fazemos isso sem esforço, com um treino sistemático. "Todo dia é dia de treino" é o nosso slogan.

A base da metafísica apresentada em Um Curso em Milagres, assim como encontramos em outras filosofias e religiões, é que este mundo é uma ilusão, um sonho no qual estamos separados uns dos outros e de Deus. Despertar do sonho (aos poucos) é resgatarmos a memória de sermos um Ser sem limites, sem necessidades – como uma Criação de um Criador igualmente sem limites e pleno. Enquanto essa lembrança vai sendo resgatada, nosso autoamor vai sendo resgatado. Nossa autoestima vai ficando legítima: vamos achando possível sermos dignos de todo o Amor de Deus.

O resgate da lembrança de que somos dignos de sermos amados, nos deixa menos rígidos conosco e consequentemente conseguimos ser mais benignos com as outras pessoas. Em outras palavras, quando estamos em guerra conosco (autocondenação, culpa), entramos em guerra com os outros. Quando estamos em paz conosco, estamos em paz com as outras pessoas.

Grupo Mera: Interesses conflitantes são a tônica deste mundo, pois ele foi feito exatamente por causa disso e para isso.

Todo o nosso treino com Um Curso em Milagres nos leva a procurar ver interesses compartilhados, em vez de separados, porque interesses separados é a ferramenta principal do ego - "um ou outro"; se um ganha, o outro necessariamente precisa perder.

Em uma situação dessas, o melhor a fazer é colocar a situação nas mãos de Jesus, do Espírito Santo, e pedir que o ajudem a ver tudo isso através dos olhos Deles. Nosso pedido deveria ser para que nos ajudem a manter a calma e a lucidez e não a resolução que pensamos ser a “melhor”. Nós não sabemos o que é melhor para nós. O Espírito Santo sabe. Ainda, nós não podemos ter a perspectiva total das situações (as lições de perdão que cada um tem), no entanto, Ele tem.

Quando conseguimos nos colocar "acima do campo de batalha", ou seja, como observadores apenas, tudo o que antes nos parecia tão fundamental e importante, assume uma posição mais “clara”, sem tanta importância, em nossas vidas.

Esse não é um processo fácil, nunca é. Mas é possível, com treino e dedicação.

Grupo Mera: Nosso livro, Um guia para o perdão, tenciona ajudar no entendimento das  principais ideias apresentadas no Curso para os que o estudam, já que muitas pessoas têm dificuldades nesse sentido. Pretende também mostrar de forma facilitada essas ideias para as pessoas que não conhecem Um Curso em Milagres.

Esse livro é o resultado de nossas experiências pessoais com o treino dos conceitos em UCEM e também com o de nossos alunos, ao longo desses anos com os cursos do Grupo Mera – fundado em 2003. Toda essa experiência tem nos mostrado o quanto é importante termos um “ponto de partida” mais acessível para entrarmos em contato com esses conceitos do Curso, para depois, já mais familiarizados com essa reversão completa de pensamento, nos dedicarmos ao estudo profundo do livro em si.

Uma vez que o perdão ensinado pelo Curso não é o perdão que conhecemos aqui no mundo, nosso livro tem a intenção de ser um caminho para o melhor entendimento da concepção de perdão dentro de UCEM. Com esse intuito, ele é totalmente baseado em Um Curso em Milagres.

Longe de ser um substituto ao estudo de UCEM, nosso livro se constitui em um incentivo para seu estudo e prática.

Grupo Mera: Sempre que essa pergunta aparece, precisamos primeiro nos “localizar”, e entender alguns aspectos importantes:

- Não é possível entendermos a Unicidade total a partir da nossa perspectiva “fragmentada” neste mundo.

- Não temos como não acreditar no sonho, estando dentro dele, portanto, precisamos da ajuda de alguém que esteja fora do sonho para poder nos dizer o que é real.

- O tão falado “sofrimento” faz parte do sonho, portanto, NÃO é Real.

Seu “ressentimento” contra Deus é muito natural, no estado atual de separação em que pensamos estar. Mas, se acaso Deus interviesse no sonho, estaria afirmando sua realidade, o que então tornaria todo o sofrimento que vemos “aí fora” real. E, nesse caso, não haveria mesmo esperança de alívio ou escapatória para nós.

Como Deus, sendo Onisciente, poderia não saber que uma parte de Cristo iria ter esse sonho? Algo fundamental a respeito dessa dúvida é entendermos que um sonho NÃO tem poder real de causar nenhum sofrimento, portanto, Deus – falando de forma que possamos entender com nossa mente “fragmentada” – sabe que Seu Filho não está realmente sofrendo, mas que está apenas sonhando, perfeitamente capaz de despertar. Para isso, ele nos enviou o Confortador, o Guia, chamado de Espírito Santo em Um Curso em Milagres, para que possamos despertar suavemente desse sonho.

E, como acontece com os sonhos noturnos, tão logo despertamos, todo o “sofrimento” desaparece no nada de que foi feito.

Todos esses “volteios em torno do nada” são sim apenas artimanhas do ego para nos manter aprisionados e mergulhados ainda mais no sonho. Sugerimos a você que não se concentre tanto nessa questão agora, mas que se volte ainda mais efetivamente para a prática do Curso, através da aplicação de seu ensino no seu dia a dia, em seus relacionamentos, da prática do livro de exercícios, e, se achar bom, através dos nossos módulos – que realmente têm ajudado inúmeros estudantes nessa caminhada.

Vai chegar um momento, em que você vai se sentir completamente livre de toda essa apreensão, e aí, todo o questionamento perderá definitivamente o valor que ainda tem para você. Lembramos, ainda, que é realmente impossível para nós, nesse estado mental atual, entendermos a Realidade da Unicidade indivisível do Céu.